myspace
Saiu há mais ou menos duas semanas no Ípsilon um artigo meu que só agora publico aqui. (Para ler tudo, é só clicar no sítio respectivo.) Enjoy.
Queres ser meu amigo?
Descobri o MySpace (www.myspace.com) há pouco tempo. Um site onde é possível ser amigo de toda a gente fazia falta na minha vida. É claro que tenho amigos fora do mundo virtual, mas amigos mortos, célebres e giros, isso só no MySpace. É perfeito para quem, como eu, tem uma queda para estrelas de Hollywood, actores porno, drag queens, divas da Broadway, escritores mortos, tatuadores e, claro, bandas, cantores e DJs.
Continuar a ler...É simples ser amigo desta gente. Primeiro cria-se um perfil. Depois procura-se por quem se gosta e o mais certo é eles terem o seu espaço. Pede-se para ser amigo e já está. A seguir trocam-se mensagens. Sugere-se e venera-se. Comecei por perder umas horas a ler perfis das minhas estrelas de cinema, algumas já mortas e de quem quis ser amigo. Cary Grant, Paul Newman, Tippi Herden, Judy Garland, Elizabeth Taylor e, claro, o meu Montgomery Clift, cedo se tornaram meus amigos. Estas estrelas são, claro, fãs determinados em assegurar a longa vida das starlets, fechando-se numa aura de mistério e encarnando, por exemplo, Barbara Stanwyck. É curioso perguntar-lhes pela vida. Monty responde-me que não gosta do cinema actual, Joan Crawford queixa-se da falta de brilho e Jimmy pergunta-me se Lisboa é em Espanha. Verdadeiros ou falsos, uma parte de mim precisa destas pessoas.
Depois há os realizadores de cinema. Quem é que não quer ser amigo de Gus Van Sant, de Scorsese ou até de Godard? Sim, até ele se mete nisto. Os realizadores ainda assim são recatados. Apenas Martin mandou um hello de volta.
A malta da música adiciona toda a gente e usa este meio como forma de promoção, valorizando o poder das pequenas comunidades. Da minha amiga Róisín Murphy recebi um mp3 grátis. Já Patrick Wolf costuma enviar-me recados a desancar no Mika – um ódiozinho comum. Os The Smiths já não existem, mas uma comunidade italiana mantém o espírito vivo. A propósito, Morrissey, não sei porque é que ainda não aceitaste o meu pedido. Não queres ser meu amigo? Eu queria tanto ser teu amigo.
Na escrita, Oscar Wilde ainda não me respondeu e Dorothy Parker não está disponível para as dúvidas de um jovem escritor. Capote pede-me gossip e faz-me chegar à conclusão de que as nossas fofocas valem muito pouco comparadas com o que ele sabe. Ah, o escritor da voz irritante não pode com Paris Hilton. Íamos dando cabo da nossa amizade por causa da herdeira, por quem tenho alguma estima.
Os actores porno ficaram logo meus amigos. São fáceis, vaidosos e espertalhões, promovendo de forma narcisista os seus filmes. Há umas noites atrás, num barzinho da moda, um conhecido perguntou-me se eu também era amigo do François Sagat. Respondi que sim. Ao meu lado, um tipo quase que desmaiava: És amigo do Sagat? Apresenta-me. Para que se perceba, falamos de um actor porno muito popular entre a rapaziada, com uma invulgar tatuagem na cabeça. E sim, é meu amigo.
Mas nem tudo é um mundo de agradáveis falsidades. Erick E, um famoso DJ holandês, ao som de quem dancei muitas noites no Roxy de Amesterdão, há coisa de nove anos e antes daquela discoteca ter ardido, escreveu-me uma longa e simpática mensagem sobre música e bicicletas. Ficámos de tomar um copo numa próxima visita à minha segunda cidade.
Dizem que a Buzznet ou o Second Life são melhores. Não quero saber. Dali ninguém me tira. Só no MySpace consigo estar rodeado por esta gente. Se isso for doentio, pois que seja. E vocês, se quiserem ser meus amigos, passem por: www.myspace.com/djandypunch.
Encenador teatral, escritor e DJ
copyright André Murraças
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